Lisboa Palácio Pimenta e Jardim Bordalo Pinheiro

Há um museu em Lisboa que invariavelmente visito, quando passo uns dias na capital. Está localizado no Campo Grande, junto à Cidade Universitária e ao estádio Alvalade, com acesso muito fácil de metro. É o antigo Palácio Pimenta, e alberga o núcleo-sede do Museu de Lisboa. Nele se encontra ilustrada a história da cidade, desde a sua ocupação durante a pré-história até ao início do século XX. Para quem queira saber mais sobre a capital do país, este museu é de visita obrigatória. Pinturas, mapas, gravuras e objetos contam a história da cidade de maneira leve e interessante. É dado destaque particular a certos períodos da vida da cidade, como por exemplo, o terramoto de 1755 e a reconstrução da baixa pombalina.

A “Casa da Quinta da Pimenta”, “Casa da Madre Paula”, “Palácio Galvão Mexia” ou “Palácio Pimenta” foi mandado construir por iniciativa do rei Dom João V, a meados do século XVIII, para a sua amante Madre Paula, uma freira do Mosteiro de São Dinis, em Odivelas.  Presume-se que tenha sido projetado por um dos dois destacados arquitetos joaninos, Carlos Mardel ou Ludovice. A denominação atual deve-se ao nome de um dos seus últimos proprietários, Manuel Joaquim Pimenta. É de linhas barrocas com paredes revestidas a decorativos azulejos azuis e brancos que foram poupados pelo terramoto de 1755. Neles estão, belamente pintadas, cenas de mitologia clássica, batalhas, reis e nobreza. No rés-do-chão do museu, encontram-se a cozinha e várias salas mobiladas e decoradas com objetos da época. 

Nos jardins de enormes e frondosas árvores passeiam, preguiçosamente, pavões de penas magníficas. Uma secção dos jardins é dedicada a obras do artista Rafael Bordalo Pinheiro. Andorinhas, caracóis, lagartixas e outros bicharocos de faiança, em tamanhos desproporcionados, despertam-nos, espontaneamente, um sorriso nos lábios. 

Este edifício do Campo Grande foi comprado pela Câmara Municipal de Lisboa a Manuel Pimenta. O Museu da Cidade, inaugurado em 1909 e instalado nos Paços do Concelho, foi para aqui transferido (esteve em vários edifícios ao longo das décadas), a 18 de Maio de 1979 

O Museu de Lisboa–Palácio Pimenta compreende uma área de exposição de longa duração e outra de exposições temporárias (Pavilhões Preto e Branco e a Galeria de Arte Contemporânea), centro de documentação e serviços. 

Presentemente, numa das salas no edifício principal, está a ser homenageado o ceramista, caricaturista e mestre Jorge Colaço (1868-1942). O título da exposição é: Pintor da História– História de um Pintor. Colaço notabilizou-se por pintar “momentos da história” de Portugal. Sou grande admiradora deste artista e tenho a certeza que muitos conhecem as obras de Jorge Colaço, espalhadas por todo o país, em lugares como: a estação de São Bento no Porto, o Hotel do Buçaco, o Cemitério dos Prazeres em Lisboa, o Museu Militar, etc. 

Quantos dos que admiram os azulejos saberão o nome  deste mestre e identificarão o seu trabalho? Aqui vos deixo o convite para uma visita ao Museu de Lisboa-Palácio Pimenta.

Viagem aos 4 anos

De Santa Vitória, a aldeia onde nasci, a Beja, capital do distrito, são vinte quilómetros. Tinha quatro anos, quando fui a Beja “tirar o retrato”, na camioneta da carreira, com meus pais e meus dois irmãos . Nunca me esquecerei desse evento pois o fotógrafo desaparecia por detrás da máquina e eu mexia-me do meu lugar à procura da cara dele. Depois de sair da minha posição uma ou duas vezes, o meu pai disse-me: “Filha, fica quietinha, estamos a tirar um retrato para irmos para um lugar chamado Canadá; há lá ursinhos brancos, vais gostar muito de ver”.

Anos mais tarde, perguntei ao meu pai porque razão nunca tínhamos ido para o Canadá. Meu pai sonhara ter tido a oportunidade de emigrar mas, apesar de se ter candidatado, no início dos anos cinquenta quando esse país abriu as portas aos portugueses, o pedido fora recusado. Como escriturário da Casa do Povo, e barbeiro depois do trabalho, não tinha mãos “calejadas” e o Canadá procurava trabalhadores rurais. Nunca esqueci a tristeza e deceção dele. Passados mais de trinta anos, emigrei para o Canadá com um contrato de professora para a mais prestigiada universidade do país – a Universidade de Toronto. Do meu pai, herdei as mãos finas, o gosto pela educação, o sonho de viver no país dos ursinhos polares e, especialmente, o desejo muito forte de alargar meus horizontes. 

Esta foto que encontrei na net representa bem a imagem que guardo do momento de tirar o retrato.