LONDRES, Grâ-Bretanha Não há amor como o primeiro?

LONDRES, G.B.

Não há amor como o primeiro?

Há pessoas que vivem felizes sem nunca ter saído de suas casas; outras que sonham viajar mas não conseguem pôr em prática essa fantasia. Depois, há o grupo a que pertenço: não dá valor a fios de ouro, anéis de diamantes ou casacos de peles – todo o dinheiro que junta é para comprar bilhetes de avião.

Donde me vem o gosto pelas viagens? 

Comecei a viajar aos 21 anos, quando já não precisava de autorização para sair do país. Inglaterra foi o meu primeiro destino. Estudava inglês e alemão no liceu e meu pai tinha-me avisado quando escolhi línguas: “Filha, nunca serás fluente numa língua estrangeira se não viajares e a praticares no país onde essa língua seja falada. Vais precisar de ir à Inglaterra e à Alemanha.” 

Em 1970, no Portugal da ditadura, não era muito comum uma “menina” viajar sozinha. Tive oposição de família e amigos (infelizmente, meu pai morrera um ano antes e perdi o seu apoio). Com pouco dinheiro para viajar, foi através do Instituto Britânico em Lisboa onde estudava inglês, que encontrei uma família em Londres para onde fui servir como “au pair girl”. A troco de pequenos serviços domésticos (um dia e duas tardes por semana), conseguia alojamento e algum dinheiro. O mais importante era ter tempo para frequentar aulas de inglês e visitar museus, galerias de arte, parques e jardins.

O meu mundo nunca mais foi o mesmo depois da visita a Londres. Os museus de Londres, com entrada gratuita, oferecem uma gama de conhecimentos infindável. As mais belas obras de arte estão ao alcance de todos. Londres foi a primeira grande metrópole que conheci e onde aprendi o significado de multiculturalismo, vinte e cinco anos antes de chegar a Toronto. Em Picadilly Circus, Trafalgar Square ou nos jardins do Buckingham Palace, via desfilar na minha frente gente de todas as raças, vestida e penteada da maneira exótica. Era o tempo dos Beatles, da Mary Quant e dos “punks”. 

Londres é uma cidade fundada pelos Romanos há cerca de 2000 anos, com parques e jardins verdejantes, abadias e catedrais, torres, palácios e múltiplas estátuas. Há o encanto do Rio Tamisa que serpenteia pela cidade e é meio de transporte de pessoas e mercadorias. Londres tem cinema, teatro, dança e espetáculos para todos os gostos, todo o dia e toda a noite.

“Quem se cansa de Londres é porque não gosta de viver pois há em Londres tudo o que a vida pode proporcionar” disse Samuel Johnson. 

Regressei várias vezes à cidade, desde essa primeira viagem, e quando me perguntam qual é a minha cidade favorita, de todas as que conheço, não hesito em dizer: Londres! 

Será mesmo verdade que não há amor como o primeiro?


À porta da casa da família Cleveland

Lisboa Palácio Pimenta e Jardim Bordalo Pinheiro

Há um museu em Lisboa que invariavelmente visito, quando passo uns dias na capital. Está localizado no Campo Grande, junto à Cidade Universitária e ao estádio Alvalade, com acesso muito fácil de metro. É o antigo Palácio Pimenta, e alberga o núcleo-sede do Museu de Lisboa. Nele se encontra ilustrada a história da cidade, desde a sua ocupação durante a pré-história até ao início do século XX. Para quem queira saber mais sobre a capital do país, este museu é de visita obrigatória. Pinturas, mapas, gravuras e objetos contam a história da cidade de maneira leve e interessante. É dado destaque particular a certos períodos da vida da cidade, como por exemplo, o terramoto de 1755 e a reconstrução da baixa pombalina.

A “Casa da Quinta da Pimenta”, “Casa da Madre Paula”, “Palácio Galvão Mexia” ou “Palácio Pimenta” foi mandado construir por iniciativa do rei Dom João V, a meados do século XVIII, para a sua amante Madre Paula, uma freira do Mosteiro de São Dinis, em Odivelas.  Presume-se que tenha sido projetado por um dos dois destacados arquitetos joaninos, Carlos Mardel ou Ludovice. A denominação atual deve-se ao nome de um dos seus últimos proprietários, Manuel Joaquim Pimenta. É de linhas barrocas com paredes revestidas a decorativos azulejos azuis e brancos que foram poupados pelo terramoto de 1755. Neles estão, belamente pintadas, cenas de mitologia clássica, batalhas, reis e nobreza. No rés-do-chão do museu, encontram-se a cozinha e várias salas mobiladas e decoradas com objetos da época. 

Nos jardins de enormes e frondosas árvores passeiam, preguiçosamente, pavões de penas magníficas. Uma secção dos jardins é dedicada a obras do artista Rafael Bordalo Pinheiro. Andorinhas, caracóis, lagartixas e outros bicharocos de faiança, em tamanhos desproporcionados, despertam-nos, espontaneamente, um sorriso nos lábios. 

Este edifício do Campo Grande foi comprado pela Câmara Municipal de Lisboa a Manuel Pimenta. O Museu da Cidade, inaugurado em 1909 e instalado nos Paços do Concelho, foi para aqui transferido (esteve em vários edifícios ao longo das décadas), a 18 de Maio de 1979 

O Museu de Lisboa–Palácio Pimenta compreende uma área de exposição de longa duração e outra de exposições temporárias (Pavilhões Preto e Branco e a Galeria de Arte Contemporânea), centro de documentação e serviços. 

Presentemente, numa das salas no edifício principal, está a ser homenageado o ceramista, caricaturista e mestre Jorge Colaço (1868-1942). O título da exposição é: Pintor da História– História de um Pintor. Colaço notabilizou-se por pintar “momentos da história” de Portugal. Sou grande admiradora deste artista e tenho a certeza que muitos conhecem as obras de Jorge Colaço, espalhadas por todo o país, em lugares como: a estação de São Bento no Porto, o Hotel do Buçaco, o Cemitério dos Prazeres em Lisboa, o Museu Militar, etc. 

Quantos dos que admiram os azulejos saberão o nome  deste mestre e identificarão o seu trabalho? Aqui vos deixo o convite para uma visita ao Museu de Lisboa-Palácio Pimenta.

Londres – Cidade antiga e ultramoderna

“Quem se cansa de Londres, é porque não gosta de viver (S. Johnson).  Eu gosto de viver, por isso não me canso de ir a Londres.  A última vez que estive nessa cidade foi em junho deste ano. Perdi, por apenas duas semanas, o casamento do príncipe Harry com Meghan, enlace feliz de uma história verdadeira de príncipe inglês que casa com uma americana sem gota de sangue azul. 

Não me surpreende que grande parte dos britânicos continue fascinada pela monarquia. Reis e rainhas, príncipes e princesas, e a classe nobre inglesa,  ao longo da história do país, têm servido de inspiração para romances, peças de teatro (quem é que não ouviu falar de Shakespeare?), filmes, e séries de televisão famosas. Mais recentemente, a Netflix popularizou a vida dos nobres com as séries “The Tudors” (2007), “Downton Abbey” (2010), “The Crown” (2016), para mencionar apenas algumas. O mundo todo quis assistir à cerimónia de coroação da Rainha Isabel II, aos casamentos de Diana e Charles, de William e Katherine, de Harry e Meghan. 

O ambiente sumptuoso da Westminster Abbey, da catedral de São Paulo, do Buckingham Palace, do castelo de Windsor, a todos faz sonhar. Sempre que a minha neta Lua pede: “Avó, conta-ma uma história verdadeira de príncipes e princesas”, não tenho qualquer dificuldade. Recorro à história inglesa que é fonte inesgotável. Já lhe contei sobre a princesa portuguesa Catarina de Bragança, que se tornou rainha ao casar com Charles II, no século 17, e deixou aos ingleses um legado inesquecível – ensinou a corte a apreciar chá, e criou o gosto pela “marmalade”, doce feito das laranjas que mandava ir de Portugal.  

Londres, porém, é mais do que a cidade da “Tower of London”, das “Houses of Parliament”, “Big Ben”, e de centenas de outros monumentos antigos. Nesta última visita à cidade, em junho de 2018, deslumbrei-me com os edifícios modernos, assinados por arquitetos de renome internacional. Surgiram nas últimas duas décadas, e dão à cidade, um perfil e cunho particulares. A arquitetura antiga da cidade, o ar vitoriano que nos é familiar aparece-nos em harmonia com obras de arquitetura arrojadas que podem chocar alguns, mas causam a admiração de outros. 

Quem visita Londres nestes dias, vai admirar as espantosas estruturas como “The Schard”, uma pirâmide esguia de 87 andares e 306 metros de altura, perto da Torre de Londres, o “Tate Modern”, museu de arte moderna e contemporânea, ligado a St. Paul’s Catedral pela ponte Millennium, e o “The London Eye”, um dos mais procurados observatórios da cidade, em forma de roda gigante, na margem esquerda do Tamisa, e tantos outros.  

Escrever sobre Londres é impossível sem mencionar as pessoas. Devemos imenso à ciência, à música, à literatura, ao cinema, à televisão, às artes plásticas, em resumo, à cultura produzida na Grâ-Bretanha. Mas, esse teria que ser um assunto a desenvolver numa outra crónica.

O Canadá é um dos quinze países da Comunidade das Nações (Commonwealth) e a soberana de Inglaterra tem alguma influência, mais simbólica do que política, no país. Visitar a cidade de Londres será uma boa experiência para os canadianos pois encontrarão no Reino Unido as raízes da cultura anglo-saxónica que nos é familiar.

Ir a Portugal via Londres é uma boa alternativa para quem não gosta de viajar à noite. A Air Canada tem um voo diário que sai de manhã e chega à noite. Infelizmente nenhuma companhia oferece “stopover”, isto é, faz escala, para se poder parar uma noite ou duas, e seguir viagem com o mesmo bilhete. É preciso comprar dois voos diferentes. Não faltam opções de voos, incluindo companhias “low cost”, de Londres para Lisboa.